Se você quer escrever, se você quer criar, a tolice pode até ajudar.
- Jamile Castro Félix

- há 1 dia
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Isso era o que eu tinha em mente, pois buscava respostas para perguntas sem fundamento.
Foi por isso que, dias atrás, me perguntei o quão tola eu era. O quão tola Deus havia me feito. Não que isso fosse algo admirável ou fizesse de mim alguém especial. A tolice não é uma bênção e muito menos uma arma.
Ela costuma ser prejudicial, dependendo de quem a porta.
E, no meu caso, minha tolice é minha ruína.
Poderia essa vida ser apenas tortura?

No entanto, se minha tolice fosse divina, eu seria a tola mais divina que Deus enviou ao mundo.
Isso porque eu consideraria esse meu modo de ser como um ponto de partida para os meus quereres. Acho que escreveria todos os dias sobre tudo aquilo que realmente sonho almejar e fazer. Usaria dessa tolice para ler livros terríveis e monólogos sem fim. Aprenderia também com aquilo que vejo como ruim, e meu orgulho não me atrapalharia tanto assim. E aos livros de glória, deixaria que tomassem conta de mim — talvez de forma mais vulgar, ou quem sabe de forma excepcional.
Procuraria bibliotecas, sebos e lugares antigos. Faria deles meu esconderijo. E escalaria estantes como se fossem escadarias para o céu. Cheiraria as páginas de livros como se fossem rosas e usaria as histórias como se fossem chapéus.

Se minha tolice fosse divina, eu seria quem nasci para ser.
E a minha Musa viveria por eras — tomada de loucura, ingenuidade e um otimismo frágil, mas esculpida em esperança, acima de tudo. Dessa histeria, nasceriam belas histórias.
E, no fim das contas, eu me apaixonaria pelo resto dos meus dias na terra.
Dessa paixão, eu teria um mundo somente para mim, e a tolice reinaria até o último dia de minha vida.
Mas minha tolice não é divina.
Se quero escrever, se quero criar, essa tolice deve ser refinada e tratada com rigor.
Para durar a vida inteira, só me resta ser a tola disciplinada.








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